Portugal está a pagar cerca de 200 milhões de euros por ano à União Europeia por não conseguir reciclar uma parte significativa das embalagens de plástico que coloca no mercado. Nos últimos três anos, este valor terá somado aproximadamente 600 milhões de euros, dinheiro que sai diretamente do Orçamento do Estado.
Este custo está ligado ao “recurso próprio do plástico”, uma contribuição europeia calculada com base nos resíduos de embalagens de plástico não reciclados. A UE aplica uma taxa uniforme de 0,80€ por quilograma ao peso das embalagens de plástico que não são recicladas.
Na prática, o problema começa muito antes da conta chegar a Bruxelas. Quando o contentor amarelo não é usado, ou quando os resíduos vão para o lixo indiferenciado, perde-se material reciclável e aumenta o que tem de ser tratado ou enterrado. O resultado é duplo, com uma maior pressão sobre o sistema de resíduos e um custo financeiro que, ano após ano, tende a crescer.
Há ainda outra dimensão que merece atenção. Já foi referido publicamente que a Comissão Europeia está a preparar passos semelhantes para outras fileiras, como os resíduos elétricos e eletrónicos, o que reforça a necessidade de mudar hábitos e melhorar a recolha seletiva antes que os custos se alarguem a mais fluxos de resíduos.
A solução mais óbvia continua a ser a mais eficaz. Reciclar mais plástico e fazê-lo bem. Separar embalagens de plástico e metal no ecoponto amarelo, esvaziar as embalagens antes de as colocar no contentor e separar componentes sempre que isso for possível. São gestos simples, mas com impacto real quando se tornam rotina.
Na Blueotter, acreditamos que reduzir este custo anual depende também de cada um de nós, em casa e fora de casa. Se o país reciclar mais, ganha a economia circular, ganha o ambiente e ganha também a gestão pública. Menos desperdício significa menos penalizações e um maior valor recuperado.